sexta-feira, 3 de julho de 2015
sexta-feira, 19 de junho de 2015
PRIMEIRA VISÃO DE TIA NEIVA.
Salve Deus.
que o Manto de Jesus nos cubra nesta bendita hora. Salve Deus.
Em seu caderno de notas, Tia nos conta muitas pequenas histórias, resultado do início de sua missão, reflexo real do que vivenciou. Essas histórias são muito importantes para que o jaguar e mesmos os que não sendo médium do Amanhecer tem alguma carinho e respeito pela doutrina e querem conhecer mais um pouco da trajetória desse Grandioso Espírito que, neste plano, conhecemos como Neiva Chaves Zelaya, Tia Neiva.
Sim, meu filho jaguar. Estou me lembrando da minha primeira visão: cheguei de uma viagem muito cansada e me deitei. Alguns colegas que estavam em minha casa, continuaram a conversar. Eu estava cansada, mas não conseguia dormir. De repente, um velhinho bem conhecido meu, apareceu com um lampeãozinho na mão e folgadamente sentou-se à beira da minha cama. Dizia-me coisas que eu logo esqueci. Agradecia em nome de Deus o que eu tinha feito por ele. Dizia-me, também, que eu teria que trabalhar muito. Sorri e pensei:
_ Está caduco! Mais do que eu trabalho?
Porém, logo em seguida que ele já havia morrido, e por sinal, tinha casas de aluguel e pedia esmolas- por missão- dizia ele. Era um verdedeiro Espírito de Luz, mas eu saí dali correndo toda irradiada e com medo. Lembro-me como aquele encontro me atingiu. Porém, tudo aconteceu como já era previsto dentro da compreensão de Mãe Yara, como já expliquei antes.
Tia Neiva e "seu" Manoel das emas.
Paz e Luz.
Salve Deus, meus irmãos e meus Mestres. Este é um relato muito interessante por se tratar de uma visão que Tia teve, logo no iniciozinho de sua missão. Esta história nos é contada pela própria. Tia relata que certo dia, após um momento em que "baixou o padrão vibratório", Mãe Yara apareceu e após chamar-lhe a atenção dela sobre o seu comportamento diddr-lhr que veio para que rezassem juntas para um conhecido de Tia Neiva, chamado "seu Manoel das emas" e que segundo Mãe Yara iria morrer. Tia então perguntou ao Getúlio se ele ouvira alguma informação sobre o Seu Manoel das emas e Getúlio a alertou sobre a existência de espíritos zombeteiros e que talvez a informação da morte de seu Manoel poderia ser uma interferência. Apesar de saber que não podia ser uma interferência ela se calou com medo de cometer novas ofensas. Preocupada, Tia pensava" E, se Ela ( Mãe Yara) não voltar mais?"
Na hora do almoço, um médium chamado Delei pegou a chave do caminhão e foi fazer o trabalho para que Tia Neiva pudesse descansar um pouco. Tia havia se esquecido completamente do aviso de Mãe Yara sobre o Seu Manoel soube mais tarde que o homem caíra morto no chão. Tia Neiva pensava: " quem sabe se eu tivesse rezado com a Senhora do Espaço, o tivesse ajudado?" E o restante desta história vamos conhecer com o relato da prória Tia Neiva, que assim registrou:
" Tudo passou. Oito dias depois, vi à noite, com meus olhos abertos, o "seu" Manoel das emas, de pé em uma estrada luminosa e tão amarela, com seu chapéu de palha e com a mesma roupinha. Ele continuava meu amigo. Sorria como se me dissesse:
_ ESTOU FELIZ!
quinta-feira, 18 de junho de 2015
A ESTRADA DE TIA NEIVA: relatos da Clarividente.
Salve Deus.
Que o amor de Jesus encontre acesso em nossos corações.
Salve Deus, meus irmãos e meus Mestres, Salve Deus.
Nós, seres humanos e ainda encarnados neste mundo onde a ilusão conduz a Vida, necessitamos conhecer para amar, conhecer para respeitar; por isso Jesus nos ensinou: "amai o vosso próximo" porque Ele sabia que é quase impossível amar aos que jamais vimos, jamais conhecemos. Com base neste conhecimento, cada vez que nos aproximamos de nossos Mentores mais aumenta o respeito e amor que sentimos por Eles, E, dessa forma, acontece com a mulher Neiva Chaves Zelaya, a missionária, Tia Neiva, a Grande Iniciada Koatay 108, que nos legou seus sofrimentos, dificuldades e angústias pelos quais passou durante o seu percurso missionário, talvez sabendo que esses relatos nos fortaleceria e nos daria, com a força de seu exemplo, condições para prosseguir, quando os momentos de fraqueza e de angústia, quando atravessamos nossas tristes faixas cármicas que temos que aceitar e compreender. Mas, ao mesmo tempo, Tia Neiva nos mostra que a persistência conduz ao sucesso.
Muitas vezes, as críticas chegam acerca das postagens que Tia nos legou, pois alguns acreditam que as "Palavras Marcantes" de Tia Neiva é propriedade dos jaguares., Salve Deus, eu creio que quando um Grande Iniciado, um Ser mais Evoluido Espiritualmente deixa seus ensinamentos, esses pertencem à Humanidade, pertence a todos que precisam ou buscam a Luz, a compreensão da Doutrina do Amor Incondicional ensinada por nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim introduzido, vou postar algumas palavras de Tia Neiva, que ela registrou após vive-los em 1958 e consta do Caderno de Notas, na parte intitulada "Princípio da Jornada" - Cidade Livre- Núcleo Bandeirante, 1958/1959, pag.51/52.
"1958! Cheguei do trabalho muito cansada e me deitei de costas, dando um tempo para tomar banho, quando comecei a ver no teto uma verde campina, um castelo onde pessoas caminhavam, riam... mil coisas eu vi, Meu Deus! Todos, todos eram meus filhos! Minha afilhada...
Muito preocupada eu trabalhava durante o dia, na esperança de voltar ao meu lugar e ver o lindo castelo e os seus componentes. Foi um duro golpe para mim, quando soube que aquele castelo existia numa das sete dimensões que seguem a linha do Canal vermelho. Por conseguinte eu teria uma grande caminhada cármica para chegar ou concluir a sua segurança.
A vida não parava para mim. Sempre havia novidades, sempre havia doutrina...
Comecei então a analisar o desenvolvimento dos homens. Partindo desta compreensão comecei a observar... Porém, desde então mudou a minha conduta natural. Tudo o que se dava naquele castelo, eu me enchia de cuidados. Tinha vontade de penetrar nele até às suas intimidades, porém, tinha a impressão de estar penetrando na vida dos meus filhos e sentia um imenso desrespeito; não entendia realmente o meu procedimento...
Naquele dia peguei uma grande viagem, que me daria meios para algumas necessidades que eu já estava atravessando. Era perto de Luziânia. Enquanto os ajudantes carregavam o caminhão fiquei sentada na calçada, entretida com aquela gente que queria me conhecer. Eu já estava acostumada, queriam sempre conhecer a mulher motorista. de repente, vi um jovem entrando disfarçadamente naquela rodinha de pessoas. Notei que já o tinha visto no castelo dos meus filhos. Vi, também, em fração de segundos que um soldado da polícia iria pega-lo. procurei atrair o soldado para mim e acenei para o rapazinho para que fugisse. O soldado fazia mil perguntas e eu a respondia com cuidado.
_ Neiva! Viva a sua vida interior com mais intensidade, Deus está dentro de você, comece a trabalhar com amor em benefício dos outros._" ouvi", era Mãe Yara, a senhora do espaço .
_ Tenho medo do soldado- Expressando pelo pensamento._ O que ele deve ter pensado quando o chamei no meio de tantas pessoas?
_ Filha! - Voltou Mãe Yara- Não tenhas pretensão contra seus semelhantes. Filha, desperte para a vida, medite em sua responsabilidade diante da humanidade e perante Deus. De ti vão depender criaturas que servem na família, no trabalho e na sociedade. A ação do tempo é infalível, e nos guia suavemente pelo caminho certo, aliviando nossas dores; assim como a brisa leve abranda o calor do verão cada pessoa emite a sua própria vibração. O que se pede, sobretudo, filha, é o esforço mental de compreender.
_ Meu Deus!- Pensei- Ela já está para ir embora. Porque não falei no castelo?- Chegou então a resposta:
_ Filha! O missionário tem criação especial. A tua aura dá condições de vida a tua família. De épocas em épocas descem sete tribos na terra, espíritos como você que está a caminho de Deus. tribos que muito fizeram aqui, isto é, tribos que passaram por aqui, construíram, deixaram muitos investimentos. Porém, não souberam amar.
_ Como! Se morreram?- perguntei.
_ Filha! - Voltou Mãe Yara- as forças são recebidas por meio do cérebro que fazem a impressão na mente, por ondas do pensamento, que podem ser medidas e gravadas como ondas de som. É a capacidade de emitirmos as ondas mentais aos planos superiores, que nos dá o poder de fazer as coisas que parecem milagres, aqueles que não compreendem as forças dos poderes superiores. Não dê ouvidos ás intrigas e às calúnias. só árvores que dão bons frutos é apedrejada por aqueles que não alcançam os seus frutos. A árvore que não dá frutos ninguém dá importância a ela. - e, sorrindo se foi...
_
"1958! Cheguei do trabalho muito cansada e me deitei de costas, dando um tempo para tomar banho, quando comecei a ver no teto uma verde campina, um castelo onde pessoas caminhavam, riam... mil coisas eu vi, Meu Deus! Todos, todos eram meus filhos! Minha afilhada...
Muito preocupada eu trabalhava durante o dia, na esperança de voltar ao meu lugar e ver o lindo castelo e os seus componentes. Foi um duro golpe para mim, quando soube que aquele castelo existia numa das sete dimensões que seguem a linha do Canal vermelho. Por conseguinte eu teria uma grande caminhada cármica para chegar ou concluir a sua segurança.
A vida não parava para mim. Sempre havia novidades, sempre havia doutrina...
Comecei então a analisar o desenvolvimento dos homens. Partindo desta compreensão comecei a observar... Porém, desde então mudou a minha conduta natural. Tudo o que se dava naquele castelo, eu me enchia de cuidados. Tinha vontade de penetrar nele até às suas intimidades, porém, tinha a impressão de estar penetrando na vida dos meus filhos e sentia um imenso desrespeito; não entendia realmente o meu procedimento...
Naquele dia peguei uma grande viagem, que me daria meios para algumas necessidades que eu já estava atravessando. Era perto de Luziânia. Enquanto os ajudantes carregavam o caminhão fiquei sentada na calçada, entretida com aquela gente que queria me conhecer. Eu já estava acostumada, queriam sempre conhecer a mulher motorista. de repente, vi um jovem entrando disfarçadamente naquela rodinha de pessoas. Notei que já o tinha visto no castelo dos meus filhos. Vi, também, em fração de segundos que um soldado da polícia iria pega-lo. procurei atrair o soldado para mim e acenei para o rapazinho para que fugisse. O soldado fazia mil perguntas e eu a respondia com cuidado.
_ Neiva! Viva a sua vida interior com mais intensidade, Deus está dentro de você, comece a trabalhar com amor em benefício dos outros._" ouvi", era Mãe Yara, a senhora do espaço .
_ Tenho medo do soldado- Expressando pelo pensamento._ O que ele deve ter pensado quando o chamei no meio de tantas pessoas?
_ Filha! - Voltou Mãe Yara- Não tenhas pretensão contra seus semelhantes. Filha, desperte para a vida, medite em sua responsabilidade diante da humanidade e perante Deus. De ti vão depender criaturas que servem na família, no trabalho e na sociedade. A ação do tempo é infalível, e nos guia suavemente pelo caminho certo, aliviando nossas dores; assim como a brisa leve abranda o calor do verão cada pessoa emite a sua própria vibração. O que se pede, sobretudo, filha, é o esforço mental de compreender.
_ Meu Deus!- Pensei- Ela já está para ir embora. Porque não falei no castelo?- Chegou então a resposta:
_ Filha! O missionário tem criação especial. A tua aura dá condições de vida a tua família. De épocas em épocas descem sete tribos na terra, espíritos como você que está a caminho de Deus. tribos que muito fizeram aqui, isto é, tribos que passaram por aqui, construíram, deixaram muitos investimentos. Porém, não souberam amar.
_ Como! Se morreram?- perguntei.
_ Filha! - Voltou Mãe Yara- as forças são recebidas por meio do cérebro que fazem a impressão na mente, por ondas do pensamento, que podem ser medidas e gravadas como ondas de som. É a capacidade de emitirmos as ondas mentais aos planos superiores, que nos dá o poder de fazer as coisas que parecem milagres, aqueles que não compreendem as forças dos poderes superiores. Não dê ouvidos ás intrigas e às calúnias. só árvores que dão bons frutos é apedrejada por aqueles que não alcançam os seus frutos. A árvore que não dá frutos ninguém dá importância a ela. - e, sorrindo se foi...
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quarta-feira, 17 de junho de 2015
MAYANTI - RELATO DE TIA NEIVA.
Salve Deus, meus irmãos e meus Mestres, que Jesus encontre acesso em nossos corações.
Todo o corpo mediúnico sabe cantar o Mantra Mayanti e todos sabemos como esta dádiva espiritual harmoniza o ambiente para a perfeita realização dos Trabalhos mediúnicos. o que muitos não sabem é a linda história que envolve o recebimento desse Mantra por nossa mãe Clarividente, dia que certamente foi emocionante e muito especial e, certamente inesquecível para Tia Neiva, que nos conta como ocorreu esse fato:
"A minha vida seguia o seu curso normal de uma mulher viúva, aos 32 anos, quando começaram os primeiros fenômenos de minha clarividência, Começavam, também, as indecisões, e tudo o que havia planejado em toda a minha vida, se transformava sem que eu percebesse. Senti apenas que tudo mudava...
Em 1959, tive que aceitar a morar na "Serra do Ouro", onde fundamos a "União espiritualista Seta Branca". Foi o mais ter´´ivel martírio, pela vrusca transformação de toda a minha vida. Meus filhos Gilberto, Raul Oscar, carmem Lúcia e Vera Lúcia estava na crítica idade de estudos e desenvolvimento. renunciei a tudo porque somente uma lei passou a existir: O DOUTRINADOR!
No dia 9 de novembro de 1959, recebi o primeiro Mantra Mayanti. Minha cabeça se encheu de som quando um lindo General da Queda da Bastilha, dizendo chamar-se Claudionor de Place Ferrat, após contar a sua história ditou a letra dp som que eu estava ouvindo, formando então Mayante, o Mantra de Abertura de nossos Trabalhos.
Salve Deus, agora ouçam este lindo Mantra que a caridade de um jaguar postou no YOUTUBE para a nossa apreciação!
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
Eliete- Sob os olhos da Clarividente,
Salve Deus, Que esta história que nos contou Tia Neiva possa ter acesso em seu coração.
Eliete chegou ao Vale do Amanhecer numa garupa de uma "Honda", de 350 cilindradas, e com um barulho ensurdecedor. Calça rancheira, cabelos mal cuidados e blusa decotada. Trazia no rosto jovem a marca da velhice precoce. Na dureza dos olhos guardava a indiferença gerada pelo uso de narcóticos e, na face , a marca das intempéries. Foi recebida com o mesmo carinho dedicado ao pseudo" hippies" e de pronto se tornou parte integrante do nosso cotidiano. Sempre com um mesmo sorriso de indiferença e sempre cortês, jamais reclamou ou fez qualquer ato que a tornasse menos simpática. Produzia, porém, em todos nós um sentimento de tristeza e abandono. Estar perto de Eliete era como estar próximo de um abismo, de coisas sem fim, nem princípio.
Nascera no Rio de Janeiro, de um casal jovem e feliz. Antes dela o casal tivera um menino. A menina, loira e bonita era como um ornamento na vivência daquele casal, tipicamente carioca, de padrão econômico relativamente estável e vida descuidada e superficial.
Trabalho, amigos, praia e o carro do último ano eram as preocupações maiores. Eliete cresceu, assim, descuidada, sem maiores problemas, alimentada em seu incipiente intelecto pelas histórias em quadrinhos, a escolaridade fácil e a preocupação em manter-se nas ondas jovens das praias cariocas. Nenhum cuidado tirava o bom-humor constante da família.
No Plano Astral, porém, os mentores se movimentavam em torno daquela família. A vida despreocupada os levaria ao estacionamento, à estagnação espiritual, e, ao não cumprimento de suas obrigações espirituais. Eliente tinha a missão de trazer àquela família a mão de Deus. Como missionária, fora escolhida para sacudir a situação aparentemente estável, e teve início, então, o mau gosto na vida deles. Delegacias, hospitais, escândalos e toda gama de dores trazidas pela existência do submundo entraram pela porta adentro daquele lar.
Aos 14 anos, Eliete começou a trazer os primeiros problemas: por seu intermédio, o passado transcendental começou sua cobrança naquele lar despreparado para coisas mais sérias.
Eliete conheceu Félix, rapaz estróina, e filho único de uma viúva neurótica. De pronto Félix iniciou-a no mundo dos sonhos e das drogas. O Plano espiritual começou, assim, a exercer sua ação catalizadora na faixa cármica familiar. Félix a preparava "espiritualmente' para as "viagens" onde "pintavam" os quadros fantásticos.
O lazer constantes e a ausência de problemas econômicos lhes permitiam o luxo das "pesquisas" místicas alternadas com pesquisas eróticas e Eliete tornou-se "sacerdotisa" do vício e do absurdo, e rapidamente o seu comportamento começou a atingir a tranquilidade do casal.
Pouco afeitos às lutas psicológicas sem nenhuma preocupação com o mundo do Espírito, sem religião ou qualquer forma coibidora o conflito se instalou rapidamente. Sem saber procurar a solução para o problema de Eliete, seus pais preocuparam-se antes na manutenção do seu "status" de devaneio e despreocupação. A própria Eliete achou a solução: foi morar na companhia de Fèlix e sua mãe, passando viver cotidianamente num mundo de depravação repugnante. Nesse ínterim, a vida de seus pais entrou em franca decomposição. Embora se amassem, não tinham tolerância e nem competência para conviver com problemas mais sérios. Acabaram por se desquitar.
O clímax da faixa cármica trouxe um princípio de solução: Félix "dopado" subiu sub- repticiamente, na carroçaria de um caminhão carregado de madeira, dormiu e caiu com o carro em velocidade, morrendo no asfalto.
Eliete havia vivido três anos de depravação e licenciosidade, e sem a companhia de Félix ficou desnorteada e foi viver com o pai. Ambos, porém, não se toleraram muito tempo e ela passou para a companhia de mãe, onde o quadro também se repetiu
. Sem saber o que fazer com Eliete enviaram-na para a Inglaterra, onde foi viver em companhia dos "hippies", durante dois anos...
saturada de tudo voltou ao Brasil e passou a perambular pelas estradas em companhia de outros jovens nas mesmas condições. Seus "habitats" eram as praias, as "caves" e os locais de iniciações misteriosas. Com isso Eliete adquiriu um conhecimento deformado do mundo espiritual e mediúnico.
Com o cérebro tomado pelas drogas, desenvolveu um mediunidade angustiada. Vivia perturbada pelos sonhos fantásticos e pela inquietação angustiosa.
Sua incerta peregrinação a trouxe para o Vale do Amanhecer em companhia dos pseudo-"hippies". A viagem na garupa de uma motocicleta foi o começo de sua redenção.
No vale ela encontrou o amor e a compreensão, a aceitação natural, a ausência da crítica e a vivência em meio ao trabalho mediúnico intenso levaram-na a encontrar uma razão para viver.
Desenvolveu sua mediunidade, entrou em contato espiritual com seus mentores, abandonou as drogas e, em pouco tempo transformou-se numa moça boa e saudável. Daí, para o caminho Crístico de amor, da tolerância e da humildade foi um passo.
Eliete é hoje uma iniciada. Voltou para o Rio mas não quis a companhia dos pais. Arrumou um emprego de balconista e vive a vida tranquila de quem sabe o próprio destino.
É, Neiva, uma história interessante. Só que não entendi uma coisa: geralmente os jovens que nos aparecem têm sua desgraça debitada aos traumas na família, pais fracassados, mães desajustadas e coisas assim. Eliete, porém, nasceu num lar feliz no qual havia amor, um padrão de vida e uma posição na sociedade. Como você explica isso ?
_ Ausência de um preparo espiritual, M[ario, falta de profundidade vivencial. Não esqueça que estamos habituados a enfrentar os problemas dos que nos procuram quando existe uma crise, uma eclosão de conflitos. Em nossa preocupação de amainar a angústia em nossa função de socorristas, não nos preocupamos em julgar, analisar e, com isso não vamos às raízes sócias, nem isso é de nossa competência. Nossa função não é controlar a sociedade mas, apenas, dar amparo aos que nos procuram.
Mas o caso de Eliete é o mesmo de molhares de jovens nos quais as funções do lar são apenas de abrigo e proteção. O lar moderno tornou-se apenas isso, é lógico, com as múltiplas e benéficas exceções. É por isto que afirmamos ser a família o maior lugar do reajuste, onde os espíritos se encontram para cobrar e pagar suas dívidas espirituais e cármicas.
A felicidade do lar tornou-se um padrão abstrato, uma espécie de representação generalizada.
Imagine, Mário, um grupo de atores teatrais que fossem obrigados a viver seus papéis 24 horas por dia, andar na rua e em todos os lugares com suas caracterizações, e você terá uma ideia do homem moderno. Papéis e mais papéis. No escritório ele é o chefe, na rua ele é o transeunte, no volante do carro ele é o motorista, no clube ele é o desportista e em casa ele é o chefe de família.
Na verdade estes papéis escondem seres angustiados, irresolvidos, despersonalizados.. O homem moderno vive a angústia da incerteza e da ausência de resposta para as interrogações básicas: " de onde vem? Para onde vai?"
_ Neiva, já discutimos isso antes. Vimos que o Mediunismo seria uma solução mas o simples fato de se falar em Mediunismo já parece fanatismo, superstição. Qual seria a mensagem que iria levar um pouco de lenitivo para tantos milhões de seres humanos? Como poderíamos atingir essas almas sofredoras?
Mário, Mário! Não se preocupe tanto com isso. Lembre-se que existe uma perfeita coordenadora nos Planos Espirituais e Deus prevê a todos as criaturas sua oportunidade. Descrevi acima um quadro de superficialidade na vida humana. Mas o Homem que está sob a máscara do ator, tem um Espírito transcendental a animar sua alma e a exigir o cumprimento das tarefas cármicas. O próprio caso de Eliete ilustra o que digo. Chegado o momento as Leis Divinas entraram em ação e o casal foi jogado no cumprimento de suas faixas cármicas, Eliete serviu como instrumento, entre a vida que eles levavam, sem dor, sem sofrimento e no sofrimento atual, eles irão encontrar o caminho de suas realizações espirituais.
_ Mas, Neiva- objetei- será que só pelo sofrimento as criaturas encontram o caminho da realização espiritual?
_ Não, Mário, não pelo sofrimento, mas sim pela dor...
Novamente é preciso que você se lembre da diferença entre uma coisa e outra. Por exemplo, nós aqui no Vale do Amanhecer padecemos muita dor, não é verdade? Mas você acha que nós sofremos?
~´E, pensando bem é isso mesmo. Eu não me julgo um sofredor e vejo poucos se queixarem aqui dentro. Entretanto, vivemos mergulhados na dor, seja dos outros, sejam as nossas. É, isso é muito bacana.
_ Mário, há outro ângulo pelo qual esse problema precisa ser examinado, que é o da realização, na faixa da personalidade. Muitas vezes o excesso de realização , muita estabilidade e segurança social leva o Espírito ao estacionamento, a interromper sua trajetória transcendental. Isso é verdadeiro até no plano físico. O ser excessivamente perfeito, animalizado, só consegue emitir na horizontal do plano físico e só recebe alimentação desse plano. Para que a pessoa se espiritualize, receba as inspirações do Céu, é necessário um certo equilíbrio entre a vida física e a espiritual. È por isso que os jejuns foram preconizados em épocas de maior religiosidade. Também na vida social, um certo "jejum" é aconselhável...
pág. 145/149
Nascera no Rio de Janeiro, de um casal jovem e feliz. Antes dela o casal tivera um menino. A menina, loira e bonita era como um ornamento na vivência daquele casal, tipicamente carioca, de padrão econômico relativamente estável e vida descuidada e superficial.
Trabalho, amigos, praia e o carro do último ano eram as preocupações maiores. Eliete cresceu, assim, descuidada, sem maiores problemas, alimentada em seu incipiente intelecto pelas histórias em quadrinhos, a escolaridade fácil e a preocupação em manter-se nas ondas jovens das praias cariocas. Nenhum cuidado tirava o bom-humor constante da família.
No Plano Astral, porém, os mentores se movimentavam em torno daquela família. A vida despreocupada os levaria ao estacionamento, à estagnação espiritual, e, ao não cumprimento de suas obrigações espirituais. Eliente tinha a missão de trazer àquela família a mão de Deus. Como missionária, fora escolhida para sacudir a situação aparentemente estável, e teve início, então, o mau gosto na vida deles. Delegacias, hospitais, escândalos e toda gama de dores trazidas pela existência do submundo entraram pela porta adentro daquele lar.
Aos 14 anos, Eliete começou a trazer os primeiros problemas: por seu intermédio, o passado transcendental começou sua cobrança naquele lar despreparado para coisas mais sérias.
Eliete conheceu Félix, rapaz estróina, e filho único de uma viúva neurótica. De pronto Félix iniciou-a no mundo dos sonhos e das drogas. O Plano espiritual começou, assim, a exercer sua ação catalizadora na faixa cármica familiar. Félix a preparava "espiritualmente' para as "viagens" onde "pintavam" os quadros fantásticos.
O lazer constantes e a ausência de problemas econômicos lhes permitiam o luxo das "pesquisas" místicas alternadas com pesquisas eróticas e Eliete tornou-se "sacerdotisa" do vício e do absurdo, e rapidamente o seu comportamento começou a atingir a tranquilidade do casal.
Pouco afeitos às lutas psicológicas sem nenhuma preocupação com o mundo do Espírito, sem religião ou qualquer forma coibidora o conflito se instalou rapidamente. Sem saber procurar a solução para o problema de Eliete, seus pais preocuparam-se antes na manutenção do seu "status" de devaneio e despreocupação. A própria Eliete achou a solução: foi morar na companhia de Fèlix e sua mãe, passando viver cotidianamente num mundo de depravação repugnante. Nesse ínterim, a vida de seus pais entrou em franca decomposição. Embora se amassem, não tinham tolerância e nem competência para conviver com problemas mais sérios. Acabaram por se desquitar.
O clímax da faixa cármica trouxe um princípio de solução: Félix "dopado" subiu sub- repticiamente, na carroçaria de um caminhão carregado de madeira, dormiu e caiu com o carro em velocidade, morrendo no asfalto.
Eliete havia vivido três anos de depravação e licenciosidade, e sem a companhia de Félix ficou desnorteada e foi viver com o pai. Ambos, porém, não se toleraram muito tempo e ela passou para a companhia de mãe, onde o quadro também se repetiu
. Sem saber o que fazer com Eliete enviaram-na para a Inglaterra, onde foi viver em companhia dos "hippies", durante dois anos...
saturada de tudo voltou ao Brasil e passou a perambular pelas estradas em companhia de outros jovens nas mesmas condições. Seus "habitats" eram as praias, as "caves" e os locais de iniciações misteriosas. Com isso Eliete adquiriu um conhecimento deformado do mundo espiritual e mediúnico.
Com o cérebro tomado pelas drogas, desenvolveu um mediunidade angustiada. Vivia perturbada pelos sonhos fantásticos e pela inquietação angustiosa.
Sua incerta peregrinação a trouxe para o Vale do Amanhecer em companhia dos pseudo-"hippies". A viagem na garupa de uma motocicleta foi o começo de sua redenção.
No vale ela encontrou o amor e a compreensão, a aceitação natural, a ausência da crítica e a vivência em meio ao trabalho mediúnico intenso levaram-na a encontrar uma razão para viver.
Desenvolveu sua mediunidade, entrou em contato espiritual com seus mentores, abandonou as drogas e, em pouco tempo transformou-se numa moça boa e saudável. Daí, para o caminho Crístico de amor, da tolerância e da humildade foi um passo.
Eliete é hoje uma iniciada. Voltou para o Rio mas não quis a companhia dos pais. Arrumou um emprego de balconista e vive a vida tranquila de quem sabe o próprio destino.
É, Neiva, uma história interessante. Só que não entendi uma coisa: geralmente os jovens que nos aparecem têm sua desgraça debitada aos traumas na família, pais fracassados, mães desajustadas e coisas assim. Eliete, porém, nasceu num lar feliz no qual havia amor, um padrão de vida e uma posição na sociedade. Como você explica isso ?
_ Ausência de um preparo espiritual, M[ario, falta de profundidade vivencial. Não esqueça que estamos habituados a enfrentar os problemas dos que nos procuram quando existe uma crise, uma eclosão de conflitos. Em nossa preocupação de amainar a angústia em nossa função de socorristas, não nos preocupamos em julgar, analisar e, com isso não vamos às raízes sócias, nem isso é de nossa competência. Nossa função não é controlar a sociedade mas, apenas, dar amparo aos que nos procuram.
Mas o caso de Eliete é o mesmo de molhares de jovens nos quais as funções do lar são apenas de abrigo e proteção. O lar moderno tornou-se apenas isso, é lógico, com as múltiplas e benéficas exceções. É por isto que afirmamos ser a família o maior lugar do reajuste, onde os espíritos se encontram para cobrar e pagar suas dívidas espirituais e cármicas.
A felicidade do lar tornou-se um padrão abstrato, uma espécie de representação generalizada.
Imagine, Mário, um grupo de atores teatrais que fossem obrigados a viver seus papéis 24 horas por dia, andar na rua e em todos os lugares com suas caracterizações, e você terá uma ideia do homem moderno. Papéis e mais papéis. No escritório ele é o chefe, na rua ele é o transeunte, no volante do carro ele é o motorista, no clube ele é o desportista e em casa ele é o chefe de família.
Na verdade estes papéis escondem seres angustiados, irresolvidos, despersonalizados.. O homem moderno vive a angústia da incerteza e da ausência de resposta para as interrogações básicas: " de onde vem? Para onde vai?"
_ Neiva, já discutimos isso antes. Vimos que o Mediunismo seria uma solução mas o simples fato de se falar em Mediunismo já parece fanatismo, superstição. Qual seria a mensagem que iria levar um pouco de lenitivo para tantos milhões de seres humanos? Como poderíamos atingir essas almas sofredoras?
Mário, Mário! Não se preocupe tanto com isso. Lembre-se que existe uma perfeita coordenadora nos Planos Espirituais e Deus prevê a todos as criaturas sua oportunidade. Descrevi acima um quadro de superficialidade na vida humana. Mas o Homem que está sob a máscara do ator, tem um Espírito transcendental a animar sua alma e a exigir o cumprimento das tarefas cármicas. O próprio caso de Eliete ilustra o que digo. Chegado o momento as Leis Divinas entraram em ação e o casal foi jogado no cumprimento de suas faixas cármicas, Eliete serviu como instrumento, entre a vida que eles levavam, sem dor, sem sofrimento e no sofrimento atual, eles irão encontrar o caminho de suas realizações espirituais.
_ Mas, Neiva- objetei- será que só pelo sofrimento as criaturas encontram o caminho da realização espiritual?
_ Não, Mário, não pelo sofrimento, mas sim pela dor...
Novamente é preciso que você se lembre da diferença entre uma coisa e outra. Por exemplo, nós aqui no Vale do Amanhecer padecemos muita dor, não é verdade? Mas você acha que nós sofremos?
~´E, pensando bem é isso mesmo. Eu não me julgo um sofredor e vejo poucos se queixarem aqui dentro. Entretanto, vivemos mergulhados na dor, seja dos outros, sejam as nossas. É, isso é muito bacana.
_ Mário, há outro ângulo pelo qual esse problema precisa ser examinado, que é o da realização, na faixa da personalidade. Muitas vezes o excesso de realização , muita estabilidade e segurança social leva o Espírito ao estacionamento, a interromper sua trajetória transcendental. Isso é verdadeiro até no plano físico. O ser excessivamente perfeito, animalizado, só consegue emitir na horizontal do plano físico e só recebe alimentação desse plano. Para que a pessoa se espiritualize, receba as inspirações do Céu, é necessário um certo equilíbrio entre a vida física e a espiritual. È por isso que os jejuns foram preconizados em épocas de maior religiosidade. Também na vida social, um certo "jejum" é aconselhável...
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Primeiros moradores do Vale do Amanhecer- Os pioneiros.
Salve Deus.
Em meados da década de 70, a Mediunidade de Tia Neiva chamou atenção do Brasil e do mundo, atraindo muitas pessoas para Planaltina-DF-/Vale do Amanhecer pelos mais variados motivos. Entre estas pessoas acorreu ao vale do Amanhecer Ana Lúcia Galinkin, que á época necessitou realizar uma tese de mestrado e escolheu o vale do Amanhecer para ser objeto de seus estudos acadêmicos, surgindo a monografia " A Cura no Vale do Amanhecer, tendo os estudos sido por pesquisa de campo, ou seja, a pesquisadora frequentou o Vale e agora, 30 anos depois publica seus estudos no formato de livro, que vale pelos registros históricos relevantes.
O livro pode ser adquirido facilmente na internet ao preço de R$ 35,00.
Há um trecho da obra que Galinkin nos apresenta e que dá um retrato fiel dos primeiros habitantes do Vale do Amanhecer e suas reais condições de sobreviv~envia, conforme abaixo se lê:
Habitantes, vida econômica e social da comunidade.
Um recenseamento organizado pela ordem religiosa em 1974, um ano antes da pesquisa de campo, identificou um total de 250 habitantes- além das 40 crianças do orfanato- distribuídos em 60 residências, sendo 126 dessas pessoas maiores de 18 anos, 42 na faixa etária entre 10 e 18 anos e os demais 88, menores de 10 anos.
Das entrevistas que realizei aleatoriamente com 70 habitantes adultos foi possível delinear algumas características dessa população. Quanto à procedência regional, encontrei pessoas vindas, em sua maioria, do Nordeste (36) e Centro- Oeste do país (30). No que se refere ao nível de instrução, 20 eram analfabetas, 18 tinham o curso primário incompleto, 15 tinham colegial incompleto, quatro o colegial completo, e outras 13 informaram saber ler e escrever. De todas elas, apenas 10 não eram médiuns desenvolvidos na doutrina ali praticada mas pelo menos um membro de cada família era adepto da ordem religiosa.
Sobre as atividades econômicas dos entrevistados, 20 exerciam atividades domésticas na própria residência, 13 prestavam serviços dentro da comunidade como domésticas, costureiras, cabelereiras, pedreiros, prestadores de serviços gerais esporádicos; 20 não tinham emprego definido e prestavam serviços fora do Vale; 15 tinham emprego fora do Vale e 8 eram aposentados por doença ( dos quais 6 prestavam serviços eventuais). Destes entrevistados, 12 já pertenciam à ordem religiosa antes do seu estabelecimento no Vale do Amanhecer.
com respeito ao padrão de vida dos habitantes do Vale pode-se dividi-los em dois grupos distintos. De um lado, um grupo menos numeroso de pessoas de nível médio de instrução, com emprego fixo ( alguns funcionários públicos em Brasília), cujos salários permitem casas mais amplas e equipadas com mobiliário doméstico e comodidades de consumo tais como aparelhos eletrodomésticos- algumas até proprietárias de carros. Dentre estas, os familiares dos líderes da comunidade. Do outro lado pessoas analfabetas ou apenas alfabetizadas sem emprego fixo, vivendo em casas cujo conforto não ia além de uns poucos e rústicos equipamentos domésticos. A maioria destas acompanha a Clarividente desde a comunidade que foi instalada na Serra do Ouro, antes da criação do Vale.
A comunidade nada produz para seu sustento, exceto roupas rituais, sendo abastecida pelas cidades próximas. cada família vive independentemente, não havendo redistribuição da renda ou fundos de auxílio aos mais necessitados. A ordem religiosa é mantida pela renda obtida através da oficina de costura, que fabrica as roupas rituais, de lembranças para serem vendidas, da participação na exploração do restaurante, da lanchonete, da livraria e de uma pequena oficina mecânica, além da contribuição voluntaria dos médiuns, que em junho de 1976 era CR$ 10,00 ( dez cruzeiros), e de eventuais contribuições de membros mais ricos da ordem religiosa.
A vida social se desenvolve naquela comunidade como em um bairro de periferia ou vila de subúrbio de cidades brasileiras. Enquanto a maioria dos maridos saem para trabalhar, as mulheres ficam no Vale cuidando dos afazeres domésticos, visitando-se vez por outra, ajudando-se quando há festa, trocando favores. As crianças da creche, quando não estão em aula, brincam pelas ruas com os filhos dos outros habitantes ou no pátio do orfanato ou assistem à televisão em cores em um salão nas dependências do orfanato, sentadas em bancos de madeira. Algumas crianças das famílias de maior renda frequentam escolas em Planaltina, entre elas os familiares da Clarividente. Quando há festa de aniversário de alguma criança, filha de um dos habitantes do Vale ou residente no orfanato é sempre pretexto para se fazer um baile infantil, quando as crianças brincam e dançam ao som de músicas da moda. ÀS vezes esses bailes são feitos de forma espontânea pelas crianças do orfanato, sem nenhum pretexto aparente. Em algumas ocasiões, moradores do Vale vão ao Plano Piloto de Brasília assistir filmes, jantar, visitar parentes e fazer compras. Observa-se certa agitação entre os membros da comunidade nas vésperas das grandes solenidades, quando as roupas rituais têm que ser preparadas, o templo ornamentado, enfim, providências devem ser tomadas. Alguns médiuns não-residentes, que se propõem a ajudar nos preparativos vêm, então, ao Vale em horários não habituais.
A comunidade é dirigida pela Clarividente e pelo secretário geral da Ordem Espiritualista Cristã, a partir de um código informal de lealdade e reconhecimento consensual de autoridade e liderança. A atribuição de responsabilidades e tarefas é privilégio do casal de líderes. Os habitantes acatam tais determinações bem como a interferência dos líderes em seus problemas pessoais. Certo número de pessoas se aproxima dos líderes prestando-lhes favores pessoais e recebido em troca privilégios de autoridade menor. A maioria dos habitantes, entretanto, mantem-se distante, participando apenas dos trabalhos religiosos, não interferindo no destino da comunidade ou da ordem religiosa.
A cargo dos filhos e genros de Tia Neiva ficam assuntos de ordem comunitária como problemas no relacionamento, designação de área para habitantes, planejamento habitacional, ligação de luz elétrica para residências, funcionamentos de cantinas, manutenção da ordem. As decisões consideradas importantes, entretanto, são tomadas pelos líderes.
Desde sua mudança para a área atualmente ocupada, a direção da Ordem Religiosa não mais aceitou médiuns residentes, abrindo exceção para casos muito particulares, limitando, assim, o número de habitantes da comunidade. Um projeto de construção de casas de alvenaria estava sendo iniciado em 1976. Algumas dessas casas estavam sendo construídas pelos já residentes que se responsabilizavam pelos custos das obras,. Outras estavam sendo custeadas pela Ordem, que pretendia vendê-las ou aluga-las para médiuns que vivem extra-muros, que poderiam passar temporadas ou apenas finais de semana no local. Em março de 1977, várias dessas casas já estavam prontas e habitadas por membros já residentes, em substituição às suas casas de madeira.
A Cura no Vale do Amanhecer- pag. 38 a 41.
Habitantes, vida econômica e social da comunidade.
Um recenseamento organizado pela ordem religiosa em 1974, um ano antes da pesquisa de campo, identificou um total de 250 habitantes- além das 40 crianças do orfanato- distribuídos em 60 residências, sendo 126 dessas pessoas maiores de 18 anos, 42 na faixa etária entre 10 e 18 anos e os demais 88, menores de 10 anos.
Das entrevistas que realizei aleatoriamente com 70 habitantes adultos foi possível delinear algumas características dessa população. Quanto à procedência regional, encontrei pessoas vindas, em sua maioria, do Nordeste (36) e Centro- Oeste do país (30). No que se refere ao nível de instrução, 20 eram analfabetas, 18 tinham o curso primário incompleto, 15 tinham colegial incompleto, quatro o colegial completo, e outras 13 informaram saber ler e escrever. De todas elas, apenas 10 não eram médiuns desenvolvidos na doutrina ali praticada mas pelo menos um membro de cada família era adepto da ordem religiosa.
Sobre as atividades econômicas dos entrevistados, 20 exerciam atividades domésticas na própria residência, 13 prestavam serviços dentro da comunidade como domésticas, costureiras, cabelereiras, pedreiros, prestadores de serviços gerais esporádicos; 20 não tinham emprego definido e prestavam serviços fora do Vale; 15 tinham emprego fora do Vale e 8 eram aposentados por doença ( dos quais 6 prestavam serviços eventuais). Destes entrevistados, 12 já pertenciam à ordem religiosa antes do seu estabelecimento no Vale do Amanhecer.
com respeito ao padrão de vida dos habitantes do Vale pode-se dividi-los em dois grupos distintos. De um lado, um grupo menos numeroso de pessoas de nível médio de instrução, com emprego fixo ( alguns funcionários públicos em Brasília), cujos salários permitem casas mais amplas e equipadas com mobiliário doméstico e comodidades de consumo tais como aparelhos eletrodomésticos- algumas até proprietárias de carros. Dentre estas, os familiares dos líderes da comunidade. Do outro lado pessoas analfabetas ou apenas alfabetizadas sem emprego fixo, vivendo em casas cujo conforto não ia além de uns poucos e rústicos equipamentos domésticos. A maioria destas acompanha a Clarividente desde a comunidade que foi instalada na Serra do Ouro, antes da criação do Vale.
A comunidade nada produz para seu sustento, exceto roupas rituais, sendo abastecida pelas cidades próximas. cada família vive independentemente, não havendo redistribuição da renda ou fundos de auxílio aos mais necessitados. A ordem religiosa é mantida pela renda obtida através da oficina de costura, que fabrica as roupas rituais, de lembranças para serem vendidas, da participação na exploração do restaurante, da lanchonete, da livraria e de uma pequena oficina mecânica, além da contribuição voluntaria dos médiuns, que em junho de 1976 era CR$ 10,00 ( dez cruzeiros), e de eventuais contribuições de membros mais ricos da ordem religiosa.
A vida social se desenvolve naquela comunidade como em um bairro de periferia ou vila de subúrbio de cidades brasileiras. Enquanto a maioria dos maridos saem para trabalhar, as mulheres ficam no Vale cuidando dos afazeres domésticos, visitando-se vez por outra, ajudando-se quando há festa, trocando favores. As crianças da creche, quando não estão em aula, brincam pelas ruas com os filhos dos outros habitantes ou no pátio do orfanato ou assistem à televisão em cores em um salão nas dependências do orfanato, sentadas em bancos de madeira. Algumas crianças das famílias de maior renda frequentam escolas em Planaltina, entre elas os familiares da Clarividente. Quando há festa de aniversário de alguma criança, filha de um dos habitantes do Vale ou residente no orfanato é sempre pretexto para se fazer um baile infantil, quando as crianças brincam e dançam ao som de músicas da moda. ÀS vezes esses bailes são feitos de forma espontânea pelas crianças do orfanato, sem nenhum pretexto aparente. Em algumas ocasiões, moradores do Vale vão ao Plano Piloto de Brasília assistir filmes, jantar, visitar parentes e fazer compras. Observa-se certa agitação entre os membros da comunidade nas vésperas das grandes solenidades, quando as roupas rituais têm que ser preparadas, o templo ornamentado, enfim, providências devem ser tomadas. Alguns médiuns não-residentes, que se propõem a ajudar nos preparativos vêm, então, ao Vale em horários não habituais.
A comunidade é dirigida pela Clarividente e pelo secretário geral da Ordem Espiritualista Cristã, a partir de um código informal de lealdade e reconhecimento consensual de autoridade e liderança. A atribuição de responsabilidades e tarefas é privilégio do casal de líderes. Os habitantes acatam tais determinações bem como a interferência dos líderes em seus problemas pessoais. Certo número de pessoas se aproxima dos líderes prestando-lhes favores pessoais e recebido em troca privilégios de autoridade menor. A maioria dos habitantes, entretanto, mantem-se distante, participando apenas dos trabalhos religiosos, não interferindo no destino da comunidade ou da ordem religiosa.
A cargo dos filhos e genros de Tia Neiva ficam assuntos de ordem comunitária como problemas no relacionamento, designação de área para habitantes, planejamento habitacional, ligação de luz elétrica para residências, funcionamentos de cantinas, manutenção da ordem. As decisões consideradas importantes, entretanto, são tomadas pelos líderes.
Desde sua mudança para a área atualmente ocupada, a direção da Ordem Religiosa não mais aceitou médiuns residentes, abrindo exceção para casos muito particulares, limitando, assim, o número de habitantes da comunidade. Um projeto de construção de casas de alvenaria estava sendo iniciado em 1976. Algumas dessas casas estavam sendo construídas pelos já residentes que se responsabilizavam pelos custos das obras,. Outras estavam sendo custeadas pela Ordem, que pretendia vendê-las ou aluga-las para médiuns que vivem extra-muros, que poderiam passar temporadas ou apenas finais de semana no local. Em março de 1977, várias dessas casas já estavam prontas e habitadas por membros já residentes, em substituição às suas casas de madeira.
A Cura no Vale do Amanhecer- pag. 38 a 41.
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